Wednesday, March 14, 2007


Monday, March 12, 2007

A gaveta carrega o passado e o passado carrega a casa

(Marcia Tiburi)

Monday, March 5, 2007

Quaresma


Quaresma é tempo de purificação. A mortificação e a renúncia nas circunstâncias ordinárias de nossa vida também constituem um meio concreto para viver o espírito de Quaresma. Não se trata tanto de criar ocasiões extraordinárias, mas bem, de saber oferecer aquelas circunstâncias cotidianas que nos são incômodas, de aceitar com alegria os diferentes contratempos que nos apresenta o dia a dia. Da mesma maneira, o saber renunciar a certas coisas legítimas nos ajuda a viver o desapego e o desprendimento.
"É preciso crescer na fé e não temer os passos dados dentro das águas agitadas do mundo."
(Mateus 14, 22-23)

Wednesday, February 14, 2007


"É tão difícil terminar um relacionamento. Tão complicado chegar para o outro e dizer chega. São poucas as ocasiões em que isso ocorre sem drama, sem dor. A maioria das vezes é necessário uma desculpa, um deslize do outro para servir de álibi, para vencer a sua própria covardia em não assumir o desejo de separação.
Os casais deveriam ter mais cuidado com as coisas que fazem no calor da raiva. Durante a certeza do rompimento, uma estranha segurança norteia o coração magoado. E as pessoas cometem imensas besteiras, às vezes irremediáveis. É importante a lembrança das tolices passadas para silenciar as tolices presentes e evitar que o coração aja de novo em lugar da razão. Deve-se milimetrar todas as palavras enquanto se está imbuído de sentimentos negativos. Isso não é fácil, mas é necessário, uma vez que o corpo está tomado por adrenalina e a mente pela pior química: os pensamentos incertos. Medir palavras. Quem consegue, tem por mérito o direito de ser um vencedor."
(Vergonha dos Pés / Fernanda Young)

Thursday, February 8, 2007


Na corrida pelo Oscar: amigos do cinema, Espaço Unibanco, Clint Eastwood e Steven Spielberg. É o sem palavras "A Conquista da Honra". O filme acaba e por favor não saiam correndo, fiquem até o fim dos créditos! São inúmeras fotos documentando a realidade que o filme retrata. As luzes acendem e eu pergunto: "Quando é que Eastwood vai fazer um filme que não nos faça chorar?" Pode soar engraçadinha a piada, mas o fato é que enquanto Diretor, Eastwood não deixa nada a desejar, muito pelo contrário, poucos são os Diretores com tamanha sensibilidade.


A vitória é amarga no cinema de Eastwood. Ao mostrar o reverso da glória, o filme critica a farsa do palanque, que, como a foto, inspira um heroísmo divino que oculta a dura realidade do front. Eastwood não deslegitima o valor desses homens nem a imagem fotográfica, uma vez que o longa até mostra sua gênese atribulada e incerta, mas inegavelmente tirada diante de esforço e sacrifício reais, relatados em todas as fontes históricas. O alvo de A Conquista da Honra é seu uso pela história oficial, que acabou apagando o lado reverso dessa aventura insana, de grande sacrifício humano.

Sinopse
Fevereiro de 1945. Apesar da vitória anunciada dos aliados na Europa, a guerra no Pacífico prosseguia. Uma das mais importantes e sangrentas batalhas foi a pela posse da ilha de Iwo Jima, que gerou uma imagem-símbolo da guerra: cinco fuzileiros e um integrante do corpo médico da Marinha erguendo a bandeira dos Estados Unidos no monte Suribachi. Alguns destes homens morreram logo após este momento, sem jamais saber que foram imortalizados. Os demais permaneceram na frente de batalha com seus companheiros, que lutavam e morriam sem qualquer ostentação ou glória.
Ficha Técnica
Título Original: Flags of Our Fathers
Tempo de Duração: 132 minutos
Ano de Lançamento: 2006
Distribuição: DreamWorks Distribution LLC / Warner Bros. / Paramount Pictures
Direção: Clint Eastwood
Indicações ao Oscar - 2
Melhor Som e Melhor Edição de Som
Curiosidades
- Recebeu uma indicação ao Globo de Ouro de Melhor Diretor.
- Clint Eastwood teve interesse em adaptar para o cinema o livro de James Bradley e Ron Powers logo após seu lançamento, em maio de 2000, mas seus direitos já haviam sido vendidos para Steven Spielberg. Nos primeiros meses de 2001 Spielberg contratou William Boyles Jr. para escrever o roteiro, mas não gostou do resultado. Desde então deixou o projeto engavetado, até encontrar Eastwood após a cerimônia do Oscar de 2004. Foi então que Eastwood assumiu a cadeira de diretor da adaptação, com Spielberg passando a ser um dos produtores.

Wednesday, February 7, 2007


Fiel ao meu amor pela sétima arte, retorno de um inverno me refestelando na poltrona da Casa de Cultura Laura Alvim. A volta da Filha Pródiga não poderia ter sido melhor recheada de simbolismos. Sala de projeção nova, cadeiras literalmente deitadas, tela não muito grande, audio invadindo o pequeno espaço e a companhia de um amigo tão ou mais apreciador.


É tempo de Oscar, a melhor época do ano para ir ao cinema e ver de tudo com qualidade. Comecei comendo pela beirada e ataquei de filme Mexicano: "O Labirinto do Fauno", que mistura fantasia e cumpre o papel de retratar um momento da história social do homem, ou seja, arte. Diferente como O Feitiço de Àquila e encantador como um filme infantil.


A fábula é uma linguagem que o cinema soube encaixar muito bem em suas narrativas. Muito pelo jeito como esse relato estrutura os acontecimentos, dinamizando a história, mas também pela tradição fantasiosa que há nas fábulas, a mesma que existe no cinema — arte que torna visível os mais irreais universos. A fábula é também um estilo que trabalha com arquétipos e elementos simbólicos para, na verdade, falar sobre o mundo real.


Em tom sépia, desfila efeitos especiais para trabalhar universos híbridos como a fantasia, o “realismo estetizado”, a fonte histórica e trazer idéias tão firmes sobre a complexa natureza humana, essa que tem seus homens da guerra na mesma esquina em que estão os homens do encanto e da vida.


Sinopse


A protagonista é Ofélia, uma menina que começa o filme narrando, agonizante, em retrospectiva, os acontecimentos (como uma fábula). Ela, órfã de pai, chega com a mãe recém-casada na fazenda do marido, Vidal, um monstruoso (em sentido figurado) capitão dos exércitos franquistas. Não só pela estilização da fotografia, está claro que estamos numa fantasia: no caminho de chegada à casa do padrasto, Ofélia conhece um inseto esquisito, com aparência nada abonadora, mas que a acompanhará a partir de então e, mais tarde, deixará clara a sua identidade de fada. Será a partir desse ser um tanto bizarro que Ofélia conhecerá Pan, uma criatura tão irreverente quanto suspeita — e grande chave cômica do filme, é bom dizer — que entrega à menina a missão de descobrir três chaves mágicas para que volte a ser uma princesa. A doce Ofélia estará entre dois mundos: o da fantasia, atraente, infantil mas também assustador, e o real — que é de domínio dos adultos e conta com um cenário que não gera dúvidas quanto ao seu horror.

Ficha Técnica

Tempo de Duração: 112 minutos
Ano de Lançamento: 2006
Site Oficial: www.panslabyrinth.com
Distribuição: Warner Bros. Pictures
Direção: Guillermo del Toro

Indicações ao Oscar - 6

Melhor Filme Estrangeiro, Melhor Roteiro Original, Melhor Fotografia, Melhor Direção de Arte, Melhor Trilha Sonora e Melhor Maquiagem.

Saturday, February 3, 2007



PAIXÃO MARCA, AMOR FICA

Sobre frio na barriga, arrepio na espinha e sorriso bobo no rosto

Com o tempo a gente aprende que paixão é euforia, é desespero e é angústia. É beijo e é escândalo. É fogo que arde sem doer. É muito beijo. É inquietante. Paixão é avassaladora. Chega, bate forte no peito, tira o ar, enlouquece e cega; deixa sem chão e sem eixo. Paixão é desatino. É perder a razão.

Aprende que tesão é fixação. É querer devorar. É êxtase e dormir pelado. Tesão é instinto. Vontade de ocupar o mesmo espaço do corpo do outro. É sede insaciável. Tesão estremece, mas amor... Amor é abraço, é fraterno.

A gente aprende que amor é querer dividir, é querer trocar. É sentir saudade. Amor é querer mostrar o seu mundo e conhecer o mundo de alguém. Amor chega de mansinho, sem avisar, sem fazer alarde, numa quarta-feira de tarde. É querer contar e ouvir. É querer estar junto repartindo as impressões e aceitando as diferenças. Amor é admiração. Amor é parceria. É querer caminhar junto pela mesma estrada. É aprender com o outro. Amor é certeza sem por quê. É sereno. É respeito. É aplaudir e saber puxar a orelha. É saber e querer conversar. Amor é acreditar. É dar beijo de boa-noite. Amor é dormir abraçadinho ou pelo menos de mãos dadas. É acordar junto, sorrir e dar bom-dia.