
Fiel ao meu amor pela sétima arte, retorno de um inverno me refestelando na poltrona da Casa de Cultura Laura Alvim. A volta da Filha Pródiga não poderia ter sido melhor recheada de simbolismos. Sala de projeção nova, cadeiras literalmente deitadas, tela não muito grande, audio invadindo o pequeno espaço e a companhia de um amigo tão ou mais apreciador.
É tempo de Oscar, a melhor época do ano para ir ao cinema e ver de tudo com qualidade. Comecei comendo pela beirada e ataquei de filme Mexicano: "O Labirinto do Fauno", que mistura fantasia e cumpre o papel de retratar um momento da história social do homem, ou seja, arte. Diferente como O Feitiço de Àquila e encantador como um filme infantil.
A fábula é uma linguagem que o cinema soube encaixar muito bem em suas narrativas. Muito pelo jeito como esse relato estrutura os acontecimentos, dinamizando a história, mas também pela tradição fantasiosa que há nas fábulas, a mesma que existe no cinema — arte que torna visível os mais irreais universos. A fábula é também um estilo que trabalha com arquétipos e elementos simbólicos para, na verdade, falar sobre o mundo real.
Em tom sépia, desfila efeitos especiais para trabalhar universos híbridos como a fantasia, o “realismo estetizado”, a fonte histórica e trazer idéias tão firmes sobre a complexa natureza humana, essa que tem seus homens da guerra na mesma esquina em que estão os homens do encanto e da vida.
Sinopse
A protagonista é Ofélia, uma menina que começa o filme narrando, agonizante, em retrospectiva, os acontecimentos (como uma fábula). Ela, órfã de pai, chega com a mãe recém-casada na fazenda do marido, Vidal, um monstruoso (em sentido figurado) capitão dos exércitos franquistas. Não só pela estilização da fotografia, está claro que estamos numa fantasia: no caminho de chegada à casa do padrasto, Ofélia conhece um inseto esquisito, com aparência nada abonadora, mas que a acompanhará a partir de então e, mais tarde, deixará clara a sua identidade de fada. Será a partir desse ser um tanto bizarro que Ofélia conhecerá Pan, uma criatura tão irreverente quanto suspeita — e grande chave cômica do filme, é bom dizer — que entrega à menina a missão de descobrir três chaves mágicas para que volte a ser uma princesa. A doce Ofélia estará entre dois mundos: o da fantasia, atraente, infantil mas também assustador, e o real — que é de domínio dos adultos e conta com um cenário que não gera dúvidas quanto ao seu horror.
Ficha Técnica
Tempo de Duração: 112 minutos
Ano de Lançamento: 2006
Site Oficial: www.panslabyrinth.com
Distribuição: Warner Bros. Pictures
Direção: Guillermo del Toro
Indicações ao Oscar - 6
Melhor Filme Estrangeiro, Melhor Roteiro Original, Melhor Fotografia, Melhor Direção de Arte, Melhor Trilha Sonora e Melhor Maquiagem.
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