"O céu está no chão
O céu não cai do alto
É o claro é a escuridão
O céu que toca o chão
E o céu que vai no alto
Dois lados deram as mãos
Como eu fiz também
Só pra poder conhecer
Por quê? A voz da vida vem dizer
Que os braços sentem, e os olhos vêem,
que o lábios sejam dois rios inteiros...
Sem direção"
No azul intenso do céu de outono andorinhas batem em revoada. Com elas se vai o verão e todo o seu clima dionisíaco. É hora de deixar para trás amores de verão, ou quem sabe transformá-los... Cabe plantar sementes que florescerão quando a primavera chegar. Criar raízes.
Engraçado como têm pessoas que não sabem estabelecer raiz e que não se aprofundam. Vivem por aí voando como andorinhas no vai e vem das estações...
Ao som do choro de Pixinguinha reparo nelas, nas andorinhas. Perderam a formação em v do vôo em equipe. E no salve-se quem puder voam atabalhoadas atrás de uma corrente de ar que as leve para algum lugar que sirva de abrigo durante o inverno.
Se tivessem raiz não precisariam de esconderijo, estariam seguras aonde quer que fossem. São de fato leves e alegres, mas por que não poderiam ser leves, alegres e com raízes? Raízes não são cascas, raízes não aprisionam. Ao contrário, raízes libertam: quando se têm raízes pode-se ir a qualquer canto pois no peito vai consigo a certeza que vem da raiz. A raiz é o eixo de tudo, são as nossas relações, é o que nos determina, é o porto seguro para onde a gente volta quando a tempestade despenca no céu. É onde a gente se encontra e se acha feliz.
Bem aventurados aqueles que criam as suas raízes.

